A IGREJA QUE AMO XXIII domingo do T. C. Ano A
- Frei Basílio de Resende ofm

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23 Domingo do Tempo Comum, Ano A
Ezequiel 33, 7-9
Salmo 94
Romanos 13, 8-10
Mateus 18, 15-20
A Igreja que amo:
Uma Igreja na qual se dialoga
Uma Igreja na qual se quer a unidade
Uma Igreja na qual Cristo está presente
O Evangelho de hoje é tirado de um conjunto de recomendações de Jesus que chamamos de “o sermão sobre a vida comunitária” (Mt 18, 1-35). Trata-se, bem claro, primeiramente da comunidade-Igreja tal como Deus a ama e a deseja.
Mas podemos também aplicar essas recomendações a todas as outras comunidades: à família, à equipe profissional, ao pequeno grupo de cristãos de qualquer movimento ou associação, às comunidades de institutos religiosos.
De fato, a Igreja, como todo grupo humano, é constituída de homens e mulheres frágeis “nada melhores que as outras”, como dizemos muitas vezes.
E, na Igreja, como nos casais e em todas as sociedades humanas, o amor não a negação de problemas, nem a anestesia artificial de conflitos entre as pessoas.
Mas, escutemos o que pensava Jesus
Uma Igreja na qual se dialoga
Jesus nos dá aqui uma descrição de uma comunidade fraternal, não à maneira de um teórico, mas à maneira de um mestre que vive cotidianamente com sua equipe de discípulos e que sugere comportamentos bem concretos:
“Se teu irmão cometeu um pecado, vá falar-lhe a sós e mostra-lhe a sua falta. Se ele te escuta, tu ganhaste teu irmão.”
A Igreja que Jesus descreve aqui é um grupo humano no qual se fala, no qual se exprime: as palavras chaves são “falar” e “escutar”! E nós percebemos o clima de amor e de delicadeza para com o irmão que se trata de salvar.
Não se trata, pois, de um ser um corregedor de erros sempre pronto a dar uma lição aos outros. Isso seria desfigurar o pensamento de Jesus. Só se tem o direito de corrigir um irmão se a gente o ama, e num clima de amor.
Todo o contexto do sermão comunitário se banha na misericórdia. Justamente antes da passagem que escutamos hoje, Jesus contou a parábola da ovelha perdida: “Cuidai em não desprezar ninguém ... vosso Pai quer que nenhum destes pequeninos se perca.” (Mt 18,14). E justamente após nosso texto, Jesus vai pedir a Pedro a perdoar “setenta vezes sete” (Mt 18,21).
Esta é, portanto, a primeira lei de toda comunidade – Igreja, família, grupo - .
Uma Igreja na qual se quer a unidade
Bem longe de romper desde a primeira recusa de diálogo, segundo Jesus, a gente deve empreender duas outras tentativas de se reconciliar com o irmão teimoso e errado.
E notamos com que fineza psicológica Jesus nos convida a agir. Primeiro, face a face, sozinhos, em toda discrição, para que o culpado posse conservar sua boa reputação e sua honra; depois apelando para uma ou duas pessoas, para evitar julgamentos subjetivos e encontrar, talvez, argumentos mais convincentes. E, ainda, diante do apelo de toda a comunidade, tentando, mais uma vez, convencer o irmão.
Somente, então, após ter esgotado todas as formas de conciliação que o irmão vai ser excluído da comunidade, por suas recusas repetidas. Por três vezes ele recusou a mão que se lhe estendia. Após ter lhe dado todas essas chances, a comunidade se reconhece impotente em relação a esse irmão.
A unidade fraterna é um bem tão importante e fundamental que é preciso ensaiar todos os meios para a restabelecer.
Esta é a segunda lei de toda comunidade – Igreja, família, grupo.
Uma Igreja na qual Cristo está presente
Jesus nunca é somente um moralista, um sábio, um humanista. Os conselhos que nós temos visto até aqui são princípios de uma psicologia elementar.
Mas Jesus acrescenta, um aspecto teológico revelando que Deus está presente nesta tentativa de resgatar um irmão. “Tudo o que ligardes na terra será ligado no céu.”
Então, entre a terra e o céu há uma correspondência! Sendo a vontade de Deus que nenhuma ovelha se perca, então, a correção fraterna se torna um caminho da misericórdia mesmo de Deus. A Igreja é o lugar da misericórdia. Que responsabilidade!
E, em seguida, Jesus acrescenta duas revelações fundamentais nas quais ele repete o seu tema da correspondência entre terra e céu, entre o homem e Deus:
“Se dois ou três sobre a terra se põem de acordo para pedir qualquer coisa, eles a receberão de meu Pai que está nos céus... e se dois ou três estão reunidos e meu nome, eu estou lá no meio deles...”
Devemos, então, nos desesperar quando não vemos o sucesso de nossos esforços de reconciliação?
- “Não”, responde Jesus. Porque precisamos crer na eficácia da prece e na presença escondida de Jesus, inobservável por nossos meios ordinários.
“Esta é a Igreja que eu amo!”, diz Deus!
Reflexão:
Jesus diz com força que eu sou responsável por meus irmãos.
Eu me interrogo nesta semana sobre este ponto.
- Será que eu deixo cair os outros? Será que eu me resigno à suas misérias, aos seus pecados?
Do livro “Les Entretiens du Dimanche –
Il Nous Parlait En Chemin” Année A
Noel Quesson - Droguet-Ardant 1989 p 174-177
Tradução livre de Frei Basílio de Resende ofm

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